Reflexões sobre liderança feminina

Tive o privilégio de crescer numa família que nunca me limitou pelo fato de eu ser mulher. Ao contrário, minha mãe sempre trabalhou (e muito), enquanto minha vó sempre se dedicou aos cuidados dos filhos e netos e eu, ainda criança, fui aprendendo a lidar com diferentes papéis das minhas mulheres. Sempre fui incentivada a falar, participar, ser a melhor da turma e buscar conhecimento além do que minha própria família podia me dar.

Na infância e na adolescência, sempre tive muitos amigos homens e me dedicava a uma camuflagem comportamental para ser parte de. Lembro de um episódio muito marcante. Eu amava futebol (ainda amo), mas na minha rua só tinha time masculino. Eu nunca tive dúvidas sobre a opção de entrar no time DELES. E ia além: organizava a pelada, dividia os times para que ficassem mais justos, criava as regras e, claro, era a dona da bola. Nunca houve problema até meu time ganhar. Nesse dia, os meninos me enxotaram do time obviamente porque não aceitavam o fato de perder pra uma menina. Todavia, lembro como se fosse hoje da argumentação usada para minha saída: “Cinara, você é muito mandona, quer controlar toda organização do futebol e não aceita perder!”. Poxa, eu passei seis meses aceitando perder apenas para pertencer ao time, pensei eu. Sobre o fato de ser mandona, nem argumentei.

Cheguei em casa furiosa e meu pai falou “eu disse pra você praticar algum esporte feminino”. Naquele dia, percebi que mesmo na intenção de me proteger do mundo, tinha desequilíbrio na fala do meu pai. Passei a questionar todas as vezes em que mandava colocar uma saia mais comprida para sair à rua sem que mexessem comigo ou fazer X, Y ou Z porque era coisa de mulher.

Já na faculdade, ingressei num curso com predominância feminina, o que nos obrigava a frequentar as festas das outras graduações. Imaginei, dentro da minha inocência, que era natural que o mercado de trabalho refletisse aquela realidade. Não, não era.

Demorei um tempo para perceber que minhas colegas mulheres – aquelas que eram maioria na faculdade – se distribuíam por funções operacionais ou, no máximo, lideranças intermediárias. Mesmo quando fui evoluindo na carreira, poucas me acompanharam. À medida que fui ganhando equipes, me senti menos sozinha, pois compartilhava o “ser mulher” com mais gente. Ao mesmo tempo, à medida que a demanda por tomada de decisões aumentava, me sentia mais sozinha. Por quê? Olhava pra baixo e só via mulheres, mas olhava para cima – ou mesmo para os lados – e não as encontrava.

Tive um episódio em que, ao entrar num projeto composto por 13 homens e 2 mulheres, tentaram criar um conflito com a outra mulher presente, sobrepondo nossas atividades no projeto. Não tivemos dúvidas, nos unimos. Trabalhamos juntas administrando as situações que surgiam, nos ajudávamos – confesso que ela me ajudou muito mais porque eu havia acabado de chegar – e hoje, mesmo não trabalhando mais juntas, somos grandes amigas.

O que quero dizer com tudo isso é que não dá pra ignorar a diferença na forma como homens e mulheres são tratados no mercado de trabalho. Mas, dá pra ir educando para a equalização das lideranças, discutir o tema sob o ponto de vida de competência, talento e capacitação e escancarando essa vontade de ter boas líderes mulheres.

Não sei se pela minha natural sensibilidade ao tema, tenho me deparado com cada vez mais materiais sobre liderança feminina. A campanha #BanBossy é um exemplo, assim como o trabalho extraordinário do Lean In sob comando de Sheryl Sandberg. Mais recentemente, vibrei com o discurso de Emma Watson na Campanha #HeForShe, da ONU. Não consigo disfarçar minha alegria quando vejo este tipo de debate vindo à tona.

Termino esse texto com um vídeo da Sheryl, que tem contribuído muito para meu avanço profissional neste assunto. Já havia assistido seus vídeos no TED, mas quando li seu livro, no Brasil traduzido para “Faça Acontecer: mulheres, trabalho e a vontade de liderar”, tive a certeza de que podia contribuir mais para contar uma outra história. Lidero equipes majoritariamente femininas e de mulheres que trazem consigo uma dificuldade gigante de perceberem e acreditarem nas suas capacidades. Convivo com homens em posições de liderança o tempo inteiro e tenho voz para conversar sobre o fato de que podem estar errados na forma como vêem as mulheres de suas equipes. Tenho muitos amigos de diferentes círculos sociais que começam a abordar o assunto e quero discutir com eles sobre para onde as mulheres precisam ir.

Não quero queimar sutiãs, quero participar de decisões que mudem a vida de outras mulheres. Quero mudar de ideia sobre os (muitos) preconceitos que ainda estão em mim.

Toda a vez que tinha vontade de chorar numa sala de reuniões, sempre pensava que precisava ser mais “macha”. Hoje, minha vontade é de que mais homens chorem como mulheres.


Conheça o Lab de Social Media!

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Há alguns meses, fui convidada a fazer parte de um projeto super bacana da TresPontos: o Laboratório de Social Media (ou, o Lab, como estamos carinhosamente chamando).

A proposta era criar um programa online completo de formação em Social Media. Com curadoria da Pri Muniz, a Trespontos juntou no mesmo laboratório profissionais com diferentes expertises para falar de áreas como Monitoramento, Métricas, Planejamento, Gestão de Comunidades, Plataformas, Mídia e Fluxos de Trabalho, entre outros.

Os primeiros vídeos já demonstraram um laboratório rico não só em conteúdo e teoria, mas também no compartilhamento da vivência dos profissionais que contaram cases, gafes e a realidade do fantástico mundo da Social Media. A intenção é formar uma geração de profissionais capacitados e com uma expectativa de trabalho mais próxima do que irão encontrar no mercado.

E, acreditem: com um custo super acessível! Há lotes promocionais que super cabem no bolso de quem está começando na área. Todos os módulos gravados ficam disponíveis por 1 ano, pelo custo promocional de R$ 425,00, que ainda pode ser parcelado ;)

O Lab tem cerca de 80 horas de vídeos com módulos especializados e este é um dos pontos mais bacanas do curso. Pessoalmente, acredito que o futuro de Social Media, enquanto profissão, só existe se sairmos da generalização e partirmos para um modelo verticalizado, em que os profissionais dominam profundamente determinado assunto, mas mantém a capacidade crítica de visualizar, entender e agir no macroambiente, trazendo a sua especialidade à tona. Resumidamente, chamo isso de especialização consciente. Para mim, Social Media – como conhecemos hoje – vai ceder cada vez mais espaço a práticas próprias de canais sociais, porém especializadas e realizadas em prol do negócio e não da área.

No módulo que gravei, compartilhei minha experiência com fluxos de trabalho em Social Media e minha trajetória na área de comunicação. Partindo de alguns conceitos iniciais de processos, abordei a divisão das atividades em Social Media, gestão de produtividade e tempo, metodologias de trabalho para diferentes realidades da área, dicas de otimização dos processos e envolvimento das equipes neste (árduo) trabalho de gestão de fluxos.

O conteúdo que preparei nasceu do que faço há algum tempo na área de Social Media e transparece a minha paixão pelo tema. Seja na agência, no cliente ou em trabalhos autônomos, gerenciar equipes e processos sempre me encantou. Adoro a mediação, o exercício da liderança e de juntar as pontas da cadeia. Nem sempre dá e também é importante dizer que nem tudo são flores, mas justamente esse desafio é o que me traz gás para amar o que faço e buscar uma gestão cada vez melhor e mais estimulante. Tudo isso por saber que, lá no fim, o meu esforço pode dar sentido à prática de muita gente.

Contar tudo isso nas cerca de quatro horas do módulo foi muito bacana e senti na pele a responsabilidade de compartilhar conteúdos transformadores, como me passado no briefing. Espero que as pessoas que façam o Lab sintam-se tão inspiradas quanto eu me sinto com meu trabalho.


O planejamento precisa se reinventar

Na última semana, participei do Planner Summit e compartilho com vocês algumas anotações do evento. Não tenho por hábito fazer resenhas deste tipo de conteúdo, mas é enriquecedor o exercício. Como as anotações foram um tanto quanto esquizofrênicas, meu cérebro não conseguiu fazer as associações diretas aos autores, mas as apresentações vão estar aqui em breve ;)

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A marca é mais importante que a propaganda

Pense na experiência do consumidor. As marcas precisam, cada vez mais, que os planejamentos dêem conta de entender sua essência em profundidade e não apenas pensar uma campanha, ação ou publicidade. Cada vez mais, abrem-se portas para estrategistas e fecham-se para propagandistas. Expanda seu entendimento de marca!

 

Planejamento Digital não existe

A dicotomia de comunicação online X offline só faz sentido enquanto modelo de negócio, cujo entendimento é requisito para sobrevivência profissional, ou seja, você precisa entender o jogo para jogar. No entanto, limitar a operação de planejamento a esses âmbitos é suicídio, pois estamos inseridos num contexto de comunicação cada vez mais holístico e o  planejamento só é verdadeiramente rico ao abarcar todas as possibilidades de experiência para o consumidor, online ou não. Um mundo que muda em velocidade recorde exige um planejamento aberto ao novo e às mudanças: ontem foi TV, hoje internet, amanhã não sabemos. Ainda assim, em essência, será planejamento.

 

Toda marca tem algo incrível a ser revelado

Essa foi para aqueles publicitários (chorumelas) que reclamam que não conseguem fazer trabalhos legais porque estão fora do eixo Rio-São Paulo, porque o budget dos clientes não permite, porque atendem pequenos ou médios negócios em que ideias brilhantes não são palpáveis.  Em essência, há maravilhas em desvendar do quão incrível é uma marca e na forma de comunicar isso. Boa descoberta!

 

Repense a cultura do case

Há uma cultura de aplauso a Cannes, aos prêmios  e aos cases gritados aos quatro cantos do mundo. Profissionalmente, no âmago de quem faz, acho que isso pesa pouco e repensar o papel deste tipo de postura é algo respeitável. Quando observo grandes profissionais fazendo este tipo de reflexão, ressurge a esperança em dias melhores.  No fim das contas, a riqueza está em ter orgulho do trabalho entregue, em ver alguma experiência enriquecedora e real a partir do que foi pensado e executado, está em trabalhar, dia após dia, com a cabeça tranquila por fazer um excelente trabalho dentro das possibilidades, venha ou não o case.

 

A forma de fazer é tão importante quanto o conteúdo

Planejar é muito mais sobre COMO do que sobre O QUE. Esse item extrapola os contornos da publicidade, servindo para a vida toda. A forma como as coisas são ditas, realizadas, concretizadas muitas vezes fala mais alto que as próprias coisas. Ao planejar, considere os meios, os canais, as expectativas de relacionamento e interação do target. Envolver é o primeiro passo para um bom resultado.

 

Importe-se mais com a satisfação do que com o job title

Pensando em carreira, tente esgotar o potencial da experiência humana no que você pensa e faz. Projete sonhos, metas e novos conhecimentos, mas não prenda-se a determinado título ou cargo, pois na calada da noite, quando você põe a cabeça no travesseiro, conta mais o que você faz do que o cargo que você possui.  A longo prazo, o que faz diferença são muitas das qualidades que não podem ser transpostas para um currículo, mas que estão embasadas numa filosofia de vida, que faz com que você trabalhe com mais profundidade, alegria e satisfação.

 

O planejamento além do cérebro

Estamos tão habituados a pensar as marcas dentro de argumentos racionais de resultados, projeções, metas, etc., que, na maioria das vezes, esquecemos que planejar é colocar a alma e a pele no jogo.  Trata-se de transitar com fluidez entre os dois lados do cérebro, entre o hardware e o software, segundo a metáfora da Hui Jin Park.  Para capacitarmos a este exercício, é necessário sair da bolha que envolve e cega o mundo publicitário. Sair da lógica que faz com que não vejamos um palmo fora do nosso círculo. Ter outros pontos de vista faz bem, formar redes além dos Jobs e da comunicação é saudável e ajuda a entender que o mundo vai muito além do próprio umbigo. Some, não se restrinja!


Não seja alguém que entrega

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A rede de relacionamentos é um dos principais aliados profissionais (até aí, nada novo). Isso, inclusive, explica a existência de um monte de gente desesperada “querendo fazer networking”. Calma, people! Os vínculos que mais trazem resultados são aqueles criados num contexto em que a barra não estava sendo forçada. A troca frenética de cartões de visitas em eventos corporativos nem sempre vai fazer com que você seja lembrado. Tenho várias referências profissionais que conheci numa mesa de bar, nos corredores da universidade ou por meio de amigos.

Se o networking tem um peso enorme na nossa carreira, ele também impulsiona outro comportamento: o Quem Indica.  Ao menos uma vez por semana, algum amigo solicita recomendações de profissionais ou mesmo referências sobre o trabalho de algum candidato. E o mais bacana é que a hierarquia assume um caráter totalmente coadjuvante. Já indiquei ex-chefes, já fui indicada por pessoas que foram meus estagiários, já entrevistei candidatos que me entrevistaram em outras oportunidades e por aí vai. Tratando-se de carreira, o jogo muda o tempo todo, um dia você está por cima, no outro um colega com quem você nem falava assume uma função super estratégica para você ou um conhecido resolve empreender e a startup é um sucesso…  resumindo a ópera, na carreira não tem como vestir personagem: você é quem você é.

Eu mesma, já estive prestes a contratar uma pessoa e desisti numa conversa de bar em que um amigo me apresentou características que não consegui identificar no processo seletivo, como falta de comprometimento e reclamações excessivas. Obviamente, fatores circunstanciais podem ter influenciado este comportamento: a pessoa está insatisfeita com a política da empresa, tendo seu comprometimento afetado, por exemplo. Mas, sem conseguir avaliar todas as variáveis, a opinião de alguém de confiança adquire um peso gigante.

Há algumas semanas, me pediram referência sobre um ex colega de trabalho que estava participando de uma seleção. Falei a verdade: “olha, ele entrega!”. O fulano em questão não era um profissional ruim, mas nunca demonstrou paixão ou me chamou atenção por algum comportamento excepcional ou feito profissional. A frase “ele entrega” ficou o dia como um som recorrente na minha cabeça. Fiquei pensando no quão triste seria para mim ser reconhecida como alguém que entrega.

Entrega é o mínimo, é a base do seu trabalho, mas quem fica na base não cresce. Desenvolver um diferencial é essencial para a carreira e também para sua felicidade, indo muito além das paredes corporativas. Quando você consegue ser visto por algo que poucos possuem, a entrega nem precisa ser mencionada, pois está subentendida.

É prazeroso quando conseguimos falar de alguém com brilho nos olhos:

 

José? José tem uma sensibilidade incrível na gestão da equipe, com um controle e adesão incomparável das pessoas com que trabalha. Sabe ouvir, executar e fazer com que todos se envolvam nos projetos, trazendo benefícios tanto para baixo (funcionários) quanto para cima (empresa).

 

João é comprometido demais. Se você tiver procurando alguém com quem contar ou para ser seu braço direito, pode contratá-lo de olhos fechados. Quando trabalhamos juntos, havia situações em que eu passava um briefing no início da manhã, ficava ausente do escritório durante todo o dia e, ao voltar, tinha a certeza de contar com um trabalho surpreendente.

 

Falar da Maria é fácil. Ela ainda tem pouca experiência profissional na área, mas, sem dúvida, é muito acima da média. Demonstra curiosidade, iniciativa e uma facilidade incrível em assimilar conhecimentos e feedbacks. Se você investir em coaching, em pouco tempo contará com uma funcionária que irá puxar o nível do restante do time para cima.

 

Estes três depoimentos são reais e recentes, feitos por mim sobre pessoas com quem trabalhei e admiro. Pessoas muito diferentes entre si, mas que desenvolveram habilidades para serem mais do que entregas, se transformando em profissionais de uma troca enriquecedora.

Coloque tesão no seu trabalho, desenvolvendo um jeito próprio de ser e fazer as coisas e um diferencial competitivo a partir das suas características. Nosso tempo é muito precioso para apenas entregarmos. Passamos uma boa (senão a maior) parte da vida nos dedicando ao nosso trabalho e precisamos fazê-lo agir a favor da nossa felicidade.

Queira fazer mais e fazer diferente e, caso não consiga, é sempre válido fazer uma avaliação da sua carreira, pois talvez você precise mudar o rumo para dar e ter mais do que entregas.

O que aprendi? Nunca mais indicarei alguém que só entrega.


Native Advertising e a necessidade de repensarmos o nosso conteúdo

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O Conteúdo é um velho aliado das marcas para tornarem suas estratégias atrativas e uma paixão antiga deste ser humano que fala. Sempre gostei de escrever e, ao entrar no mercado profissional, criar e planejar conteúdos visando um processo tornou-se muito mais que um hobby.

Quando iniciei minha carreira, queria escrever corretamente, pontuadamente, gerando o tal do conteúdo de qualidade. A experiência foi me mostrando que, trabalhando com publicidade, meu conteúdo precisava assumir diferentes contornos, ora num tom persuasivo, ora num tom informativo. Nesse caminho, Diretores de Arte e seus infográficos viraram grandes aliados e até a galera de performance ditou algumas regras para que eu produzisse (ou ajudassem a produzir) conteúdo.

Foi nesse contexto que tive contato com a Native Advertising, ainda sem este nome pomposo que hoje parece ter. Ela consiste na curadoria e elaboração de conteúdos publicitários pensados e direcionados ao meio de consumo do usuário. Quando falamos em Facebook, estamos falando em anúncios de emoção e call to action, com apelo centrado em imagem de estímulo à compra. Se considerarmos Twitter, podemos pensar em tweets patrocinados, voltados à rápida absorção na rede e impacto instantâneo. Sem falar nas mais diversas anúncios mobile e peças publicitárias cujo conteúdo se mimetiza ao meio para potencializar a absorção, impacto e resultados (cliques, vendas, views, etc), como anúncios que parecem uma matéria ocupando a página inteira de um e-book ou revista online. Mas, é importante lembrar: por tratarmos de Advertising (publicidade) estamos falando em apelo de consumo e mídia paga.

Entramos agora no ponto que mais me chama atenção. Por que conteúdo para consumo? Por uma necessidade de fugir de um modelo de produção que está ultrapassado: banners gritando compre e ganhe ou sugerindo descontos que não se concretizam após o clique, marcas competindo alucinada e invasivamente por atenção, estratégias de remarketing repetitivas, perseguindo intrusivamente o pobre usuário.

Aguardei ansiosamente pelo dia em que gerar conteúdo se transformasse numa função estratégica para marcas e agências e, pelo que percebo, este dia está mais próximo do que nunca.

A publicidade está de recriando pelo fato de que não dá mais conta. A realidade de mercado está exigindo que agências e marcas entendam cada vez mais de comportamento humano (de gente) e não basta ser apenas criativo. A chamadinha engraçada está com os dias contados se não trazer consigo uma compreensão profunda do público, suas experiências e histórico de hábitos de consumo. A riqueza da nova publicidade está no conteúdo pelo contexto, pela experiência, está em entender o sujeito e o ambiente antes de criar.

Na minha opinião, ganhamos todos. Publicitários precisarão desenvolver um quê de antropólogos, redatores e criativos precisarão ultrapassar os limites de produção para pensar na absorção do conteúdo e, aos poucos, os muros de quem faz e quem consome vão se diluindo numa publicidade que tende a ser mais inteligente.

Obviamente, entramos, numa nova seara (discussão para outro post):

1)     Nossos profissionais estão preparados para entender de gente?

2)     Precisamos “desrobotizar” a produção de conteúdo para pensar o contexto de consumo publicitário, mas como fazer isso?

3)     Como abarcar a compreensão e o conhecimento humano numa prática que hoje é excessivamente técnica?

4)     Qual o melhor modo para mudar a curva de operação de conteúdo dos profissionais de hoje?

Não tenho as respostas e confesso que minhas hipóteses de reflexão sobre estes pontos mudam todos os dias. Convido vocês a formularem as suas e rabiscarem caminhos também. A reflexão é exaustiva, pouco conclusiva, mas prazerosa.

Sem nenhum exagero, pensar a publicidade, mais do que nunca, exige pensar o conteúdo. Let’s Go!

Para pensar mais sobre o assunto:

Infográfico para entender a Native Advertising (vale o zoom para ler)

O que você precisa saber sobre Native Adversiting

Batizada nos EUA, publicidade nativa divide opiniões

What is native advertising anyway?

The Native Ad Rush Is On: Social Media Budgets Are Pouring Into In-Stream Ads

Categoria de Native Advertising do Mashable


Trabalho e paixão, uma relação não tão direta

Há algum tempo venho dedicando um tempo maior a aprimorar minha carreira. Tenho tentado conversas com amigos, livros, blogs, cursos online e todo o tipo de troca que me faz refletir sobre minhas práticas e trajetória profissional.

Não bastasse eu mesma me colocar em análise, muitas pessoas com as quais  convivo compartilham angústias e dúvidas similares às minhas, independente do momento profissional. No entanto, invariavelmente, o primeiro apoio encontrado é o clichê “encontre seu sonho”, principal recorrência literária na temática.   Antes de tudo, preciso parafrasear Scott Adams: o problema com a paixão é a ênfase dada a ela.  Me incomoda muito essa posição “O Segredo” de que o sucesso está centrado no sujeito, em correr demasiadamente atrás do sonho e do desejo. Não está e creio que essa imagem que nos venderam desde crianças (corra atrás dos seus sonhos) é uma das responsáveis pela insatisfação crônica nos ambientes de trabalho, da instabilidade emocional com que enfrentamos nosso dia-a-dia profissional.

O mundo do trabalho é muito dinâmico, coisa difícil inclusive para compreensão de gerações mais vividas como as de nossos pais.  A estabilidade tão sonhada não existe mais, as prioridades de carreira deixaram de ser centradas num único ponto para ceder lugar a um conjunto que inclui valores pessoais, aptidão,  ascensão financeira e deadline de concretização.

É aí que o “encontre seu sonho” cai por terra. No meu ponto de vista: o ponto X da questão é transformar o que você precisa fazer no mais prazeroso possível, com um desgaste que permita você acordar bem na maioria dos dias, criar laços prazerosos no ambiente de trabalho e construir algo que realmente faça sentido para você. Que o peso positivo seja maior a fim de que você possa pagar contas, aprender e evoluir profissional e pessoalmente. Se for o seu sonho, ótimo. Se não for, que seja bom mesmo assim.

Todas as pessoas que admiro profissional e pessoalmente não tem um único sonho. Têm vários e todos são maleáveis, apesar de intensos.

Tenho uma amiga com quem convivi pouco, apesar da minha vontade de dividir e explorar muito mais o nosso vínculo. Ela é radiante e a conheço há uns 5 ou 6 anos, sendo que neste tempo ela já trabalhou em várias frentes diferentes, mudou de cidade, empreendeu e se despedaçou em algumas decepções.  Recentemente, a encontrei num happy hour numa visita ao Brasil (hoje ela trabalha com inovação no Vale do Silício) e tive a certeza do quanto me inspira profissionalmente. Por quê? Pelo brilho no olho. O sentido pra ela  parece ser experenciar e moldar vários e mutáveis desejos, expectativas, inquietudes e colocar tudo isso em prática, não como algo estático e resolutivo, mas como um aprendizado significativo que a preenche nos seus valores mais profundos.

Aí está um bom começo: olhe para o lado. Antes de descobrir seu grande e magnífico sonho, seus amigos podem ser ótimas fontes de inspiração para pensar sobre carreira.

PS 1: neste post da Fast Company, The Secrets to career contentment: don’t follow your passion, o tema é abordado com muita inteligência e num tom muito próximo do que eu penso sobre carreira.

PS 2: dica de leitura da Mariana, este post do Blog Contente também traz informações ricas sobre o que existe no trabalho tal como ele é organizado hoje, que nos faz perceber esse buraco entre produção e felicidade.

Enjoy :)

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Sobre a cabeça do recrutador de Social Media

Desde que assumi uma função de gestora, passei a atuar na seleção de profissionais para minha equipe e, às vezes, auxiliando outros heads. Já passei por situações inusitadas, casos de empatia instantânea e algumas decepções.

Rabisquei estes itens abaixo, pois toda vez que dou início a um processo seletivo me preparo para os mesmos equívocos, para a mesma falta de consideração com o tempo do recrutador e para o mesmo questionamento sobre o meu (elevado) nível de exigência.

Candidado, para cada vaga, recebo inúmeros currículos iguais ao seu.

Fato 1: não irei responder a todos (por tempo e por volume), mas, você pode se diferenciar: comece escrevendo um email sucinto, mas que deixe claro que você conhece o mínimo da empresa em que quer trabalhar e que mostre que sua experiência é compatível e coerente com vaga. Nunca, jamais, em hipótese alguma, encaminhe apenas o currículo anexo (sem mensagem de email), pois irá direto para a lixeira. Da mesma maneira, selecione as vagas por compatibilidade e com funções que goste e já tenha desenvolvido bem, ou seja, não faça spam com seu currículo. 

Fato 2: agindo desta maneira, você já estará à frente de 80% dos candidatos.

Você pode dizer “Não tenho experiência, quero trocar de área, sou principiante na principal atividade da vaga divulgada..”. Venda sua paixão. Não tem coisa mais brochante para um recrutador do que gente morna.  A vida é muita curta para viver sem paixão e, nos casos do início do parágrafo, ela torna-se sua principal aliada, pois vai ser o combustível para você aprender o que não sabe (com qualidade e de forma rápida) e tornar-se um profissional indispensável à equipe. 

 

Comprometa-se! Com o horário, com responder educadamente desde o primeiro e-mail, com falar a verdade na seleção, com a entrega do teste, se for classificado, com o que você deseja… Trabalhar com Social Media parece brincadeira, mas não é, por isso é super importante mostrar que conduz a sua profissão de maneira séria, com respeito ao que faz e ao que quer fazer. 

 

Sobre os testes: Há algum tempo, comecei a aplicar testes para as contratações. A ideia inicial é de que fossem classificatórios, pois são sempre relacionados diretamente à área de atuação da vaga. A experiência, no entanto, fez com que se tornassem eliminatórios. Pelo menos a metade dos candidatos que promete entregar o teste, some. Isso mesmo: chá de sumiço. Nada de e-mail avisando que foi contratado em outro emprego, que não teve tempo para fazer a entrega, que o cachorro comeu o briefing. Nada.

Quando recebo os testes, meu coração palpita – pelo simples fato de tê-los recebido e pela expectativa de ver um resultado bacana. Eu, pessoalmente, todas às vezes em que participei de processos seletivos, busquei fazer entregas que causassem ótima impressão no recrutador, de um trabalho além do que foi demandado, com qualidade e, de novo, paixão. Além de conhecimento é preciso querer fazer e é para esta análise que servem os testes pré-contratação.  

Tenha apego à sua entrega: com o conteúdo, o visual, os prazos, o equilíbrio entre análise quantitativa e qualitativa, quando for o caso. Gente que faz o que precisa ser feito e não apenas o que foi solicitado vale ouro. Se você transmitir isso no seu teste, suas chances de ser o selecionado são gigantes.

Por final, seja você mesmo. Fale do seu jeito, transmita sua essência e seja verdadeiro com você mesmo. Não existe regra pra ser escolhido, mas há uma série de pequenos cuidados que te colocam à frente dos outros candidatos e se você não foi selecionado agora, ficará marcado para as próximas vagas ou mesmo indicações :)